quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Robert Parker/The Wine Advocate

Estudante de direito da Universidade de Maryland, mal sabia o que era vinho. Ninguém na família bebia. Em dezembro de 1967, com 20 anos de idade, ele aproveitou as férias na faculdade e pegou pela primeira vez um avião, indo a encontrar a namorada que estava estudando na Franca e que o levou a um café parisiense onde ele afirma ter tomado seu primeiro copo de vinho seco de mesa. Acrescenta que, não só a bebida lê fez bem, o que não acontecia com a cerveja e licor, como acompanhou maravilhosamente escargot e mariscos, pratos que ele nunca provara. Durante o tempo que ficou na Franca, Parker diz ter descoberto que os franceses eram profissionais quando se tratava de desfrutar de vinho. O período que se seguiu à fase de estudante coincidiu com o desencanto em relação ao jornalismo do vinho. A ideia de uma publicação independente germinou em meados dos anos 70. O assunto do primeiro número foi uma avaliação de Bordeaux, safra 73, tida pelos negociantes como frutada e fácil de beber. Na opinião de Parker eram diluídos, magros e desagradáveis. Logo, como ninguém conhecia Robert Parker e ele havia decidido não aceitar publicidade, ter uma forte posição ética, não ter conflito de interesses e que publicação deveria estar voltada ao consumidor e não ao comércio, a primeira edição teria que ser gratuita. 6500 cópias foram distribuídas, tendo um retorno de 600 assinaturas, Robert Parker estava convencido que existia demanda para esse projeto e continuo insistindo. Na edição de abril de 1983, ele rasgou elogios a esses tintos bordaleses. No texto intitulado Triunfos e Tristezas, fala da evolução do vinho e de outras regiões, notadamente Califórnia, Itália, Austrália e Argentina. Parker consagra um bom trecho à Argentina, citando a família Catena. Ele afirma também que era evidente que a uva Malbec, esquecida na Franca, era capaz de alcançar picos de qualidade sem precedentes. No final, Parker sublinha que “podem achar que sou um crítico de vinhos, mas não é totalmente verdade – sou antes de mais nada um consumidor. Nunca vou parar de procurar o Cálice Sagrado, aqueles vinhos de maior personalidade, expressão e individualidade, em todas as faixas de preço ”
De Jorge Lucki( fragmentos escolhidos), Jornal Valor.

Nenhum comentário: