O mentor e realizador Steven Spurrier, jornalista inglês e idealizador do evento pioneiro, teve a iniciativa de montar dois júris, um composto por profissionais europeus e outro com perfil mais americano, reunidos em Londres e a Califórnia. A série de provas às cegas, constou da reedição de 1976, com os mesmos 10 tintos de antes e com as mesmas safras utilizadas naquela oportunidade. Embora na consolidação do resultado dos dois grupos seja incontestável que na degustação com os mesmos vinhos, os tintos californianos chegaram outra vez na frente dos Bordeaux, prova que eles tinham sim potencial para envelhecer e os franceses não evoluíram tudo aquilo que se esperava, os sinais de diferenças na maneira dos dois júris analisar começaram logo a aparecer. A pesar de estarem concordes com relação ao ganhador, houve sérias discrepâncias nas colocações seguintes. Enquanto os americanos votaram em californianos para os cinco primeiros lugares, seus colegas europeus encaixaram dois Bordeaux.
Independentemente das divergências de opinião entre os degustadores quanto aos vinhos em si, parece haver consenso que os estilos dos tintos, cada um de seu lado, mudou bastante nesses trinta anos. Os Bordeaux estão mais modernos e mais acessíveis (entenda-se não em custo, muito pelo contrário) perdendo aquela austeridade que os caracterizava quando jovens e que impedia seus consumo no curto prazo. Em tudo caso, essa evolução não os fez perder elegância e longevidade. Os californianos, por outro lado, no geral assumiram um padrão próprio distanciando-se do bordeaux que lhes serviam como modelo.
Alguns críticos americanos mais compenetrados e isentos, dizem que os novos vinhos do país têm menos estrutura e são menos equilibrados que os do passado, mais próximos, todavia, ao paladar local. Questão de opção e saber a quem devem agradar. Mas não vão a envelhecer tão dignamente quanto aos da geração de 1976.
Perguntado ao Paul Pontallier, diretor técnico do Chateau Margoux, respondeu:...˝a questão não é saber se um vinho pode envelhecer, mas se ele vai melhorar, ganhar alguma coisa com os anos. Senão, é melhor consumir logo...˝.
É uma das questões que o Terceiro Julgamento de Paris poderá responder.
Autor: Lucky, colaborador do Jornal Valor. Os resultados completos podem ser conferidos no www.copia.org
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Julgamento de París II
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